VOZ ESTIS LUX MUNDI

JOÃO PAULO II, O PAPA QUERIDO DE TIMOR LESTE

Introducão

Posso dizer, sem hesitação nenhuma, que o Papa que mais pronunciava e vivia no seu coração a palavra Tmor Leste em toda a sua substância foi, sem dúvida, São João Paulo II.

Em homenagem à sua canonização que decorre no dia 27 de Abril de 2014,gostava de sobrevalorizar a sua figura em relação à questão de Timor Leste. As suas intervenções, como chefe da Igreja Católica,o seu esforço e oração fizeram com que Timor Leste alcançasse com êxito a sua libertação do jugo da Indonésia e a sua consequente independência.

Delinearei esta pequena resenha histórica em cinco pontos :João Paulo II em miniatura; Porque tantas viagens?; Os milagres de João Paulo II; Timor Leste: pérola do Oriente de João Paulo II; Igreja de Timor Leste: Esperança de um povo, que me parece mais elucidativo,  com o simples intuito de convidar os leitores a ter uma ideia sumária dum pequeno fragmento da pessoa de Sua Santidade o Papa João Paulo II e o seu grande desejo de abraçar todo o mundo no seu coração.

Nesta hora tão sagrada da sua canonização, Timor Leste deve, reconhecidamente prostrar-se e orar, dando graças e louvores a Deus, porque foram os pés de S.João Paulo II que pisando o solo timorense, firmeza à esperança deste povo; e, as suas mãos santasque abençoandoa cada um dos habitantes originaram esta nação em germen de crescimento paulatino.E hoje, em plena liberdade de um sol nascente de um Povo Independente que somos, dizemos em uníssono: “obrigado Sua santidade,Papa S.João Paulo II”.

  1. João Paulo II em miniatura

Sucintamente, em linhas gerais, podemos descrever as informações biográficas de João Paulo II do seguinte modo:

O seu nome verdadeiro é Karol Wojtyla.Nasceu no dia 18 de Maio de 1920 em Wadowice, no sul da Polónia, tendo como pais Karol Wojtlya, um militar do exército austro-húngaro, e Emilia Kaczorowsky, uma jovem de origem lituana.

Nos primórdios da sua infância teve duros golpes pela morte da mãe ao dar à luz uma menina que morreu antes de nascer, quandotinha apenas 9 anos de idade e 3 anos mais tarde faleceu seu irmão Edmundo, com 26 anos. Em 1941 morre o seu pai.

Em 1938 entrou na Universidade Jagieloniana, onde estudou poesia e drama. Trabalhou numa mina e numa fábrica duranrte a segunda Guerra mundial (1939-1945). Começou nessa altura a frequentar clandestinamente o curso de seminarista e viveu oculto com outros seminaristas que foram escolhidos pelo Cardeal de Carcóvia.

Foi ordenado sacerdote em 1946 e completou o estudo universitário no Instituto Angelicum de Roma e doutorou-se em teologia na Universidade Católica de Lublin, onde foi professor de ética. Na sua forma filosófica de encarar as questões que se lhe apresentavam, era grande admirador de S. Tomás e devoto do pensador alemão Max Scheler.

Foi consagrado bispo auxiliar do administrador apostólico de Carcóvia, D. Baziak no dia 23 de Setembro de 1958. Participou no Concílio Vaticano II, onde colaborou ativamente nas comissões responsáveis na elaboracção da Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Constituição Conciliar Gaudim et Spes.

Faleceu D.Baziak, foi então nomeado bispo titular de Carcóvia em 1964 e dois anos depois Paulo VI converteu Carcóvia em Arquidiocese.

Em Maio de 1967, aos 47 anos, foi eleito cardeal pelo papa Paulo VI para em 15 de Outubro de 1978 ser nomeado Papa, o primeiro papa não italiano desde 1522, ano da eleição do holandês Adriano VI. Além de ter sido o primeiro Papa polaco, foi o primeiro oriundo de umpaís comunista – numa altura em que ainda existia a “Cortina de ferro” na Europa. Foi um jovem que mostrou grande interesse pelo teatro e literatura polaca; foi praticante de esqui, montanismo e remo.Foi também o único Papa a ter sido atingido a tiro na rua mas sobreviveu.É curioso notar que foi o único Pontífice católico que deu entrada num hospital público até hoje.

O que mais cativa na sua figuara pelas pessoas é o sorriso, a devoção mariana, o domínio de várias línguas e o seu amor às crianças e aos pobres.

O novo Papa recebeu uma Igreja cujo governo atravessava uma certa crise, presa na tensão entre os avanços do Concílio e a perda de identidade perante a modernidade. Foi na verdade um homem de luta num mundo em mudança. A sua palavra de ordem no início do seu pontificado era precisamente: “não tenhais medo”.

Na missa inaugural do seu pontificado, celebrada ao ar livre, a 22 de Outubro de 1978, perante 300mil pessoas, começou a sua homilia citando a famosa novela de Henryk Sienkiewicz, Quo vadis por causa da sua relutância em aceitar o posto de Papa e aceitar o que era a vontade de Deus.

Conta a novela que Pedro estava deixando Roma porque tinha medo de ser martirizado como Cristo e deixar de ser o “primus inter pares, durante as perseguições de Nero, e encontrou Cristo na Estrada e perguntou-lhe: “Quo vadis?” Para onde vais, Senhor”. Cristo respondeu: ”Vou a Roma para ser de novo crucificado”. Desconcertado com esta resposta, Pedro voltou a Roma para tomar o lugar de Cristo.

Como humanista que é, nessa homilia não deixou de apregoar o humanismo cristão que emana da sua filosofia e lançou um desafio ao mundo com as seguintes palavras:O poder absoluto e ao mesmo tempo suave do Senhor corresponde às profundezas da pessoa humana, às aspirações mais elevadas do intelescto, vontade e coração. Não fala a linguagem da força, mas se expressa em caridade e verdade, …Abram as portas para Cristo. Ao seu poder Salvador abram as fronteiras dos Estados, sistemas económicos e politicos, os vastos campos da cultura, civilização e desenvolvimento. Não tenham medo. Cristo sabe ”o que está no homem”. Ele somente sabe. ( Peter Hebbi Ethwaite e Ludwig Kaufmann, João Paulo II, Uma biografia ilustrada, Editora Record, Rio de Janeiro de 1980 ).

Era peremtório dar respostas pastorais a um mundo em mudança e João Paulo II sempre foi capaz de definir etapas mobilizadoras da Igreja e do mundo, na busca de uma identidade forte que fosse capaz de sustentar o diálogo com outras confissões religiosas.

João Paulo II, um “Papa Político”, assim dizem alguns, mas na verdade, ele lutou abertamente contra os regimes comunistas de Leste e contra o capitalismo na sociedade ocidental. A Igreja é desafiada a resistir, anunciar e mudar: os apelos do Papa a favor do terceiro mundo percebem-se melhor à luz destas premissas.

Firmes e determinantes foram as posições de João Paulo II sobre os temas do matrimónio,da moral sexual,da família e da defesa da vida desde a sua conceção até ao momento da morte natural

No seu imenso trabalho pastoral em prol duma Igreja sempre em reforma, segundo o Espírito Santo, sempre o acompanhou e o protegeu a Virgem Santa Maria a quem o Papa dedicara sua vida e a consagrou, e isto traduz-se bem visível no atentado de que ele foi alvo no dia 13 de Maio de 1981, dia de Nossa Senhora de Fátima, pelo terrorista turco Mohamed Ali Agca, na praça de São Pedro.

O seu lema era composto de duas palavras “Totus tuus”. Todo teu sou, ó Maria!

Foi o homem que removeu o cristianismo e o mundodos escombros do passado para o limiar de uma nova evangelização num mundo quase liberto das opressões políticas e anti humanas e finaliza lentamente a sua dinamicidade santificadora com a sua débil saúde vitimada pelo mal de Parkinson, até ao ultimo e derradeiro suspiro tranquilo a 2 de Abril de 2005 com 84 anos de idade nos aposentos do Palácio Apostólico do Vaticano, após dois dias de agonia, às 21.37h hora da Itália. Foi sem dúvida um dos maiores nomes da Igreja Católica de todos os tempos e uma das mais influentes autoridades do século XX e princípios do XXI. Particurmente, foi o Papa que teve a coragem de fazeruma mea culpa, facto sem precedente histórico. Pediu perdão em nome da Igreja Católica pela perseguição aos judeus durante os séculos anteriores e por dois mil anos de pecados cometidos em nome da instituição, em um discurso baseado no documentoMemória e Reconciliação: A igreja e os erros do passado (2.000), elaborado por autoridades eclesiásticas. O pedido de perdão do Papa incluía as Cruzadas, a Inquisição, o Holocausto e outras atitudes da Igreja em relação aos fiéis de outros credos. Antes dessa mea culpa, ele já havia reconhecido os terríveis males provocados pela Inquisição aos Judeus.

O Último gigante do nosso tempo morreu no Vaticano para em menos de oito anos ser honrado nos altares como Santo João Paulo II no dia 27 de Abril de 2014.

Fez milagres ainda em vida e depois da morte dois milagres que o levaram à sua beatificação e canonização.

Teve o terceiro maior pontificado, que iniciou em 16 de Outubro de 1978 e só terminou em 2 de Abril de 2005 com sua morte, permanecendo 26 anos como soberano e ao mesmo tempo servo dos servos da Cidade do Vaticano

  1. Porque tantas viagens de João Paulo II ?

O Papa João Paulo II, durante o seu pontificado, efetuou várias viagens à Europa, América, África e Ásia. É o Papa ”viajante”. Realizou 104 viagens apostólicas fora da Itália, a que se juntam 146 nesse país. Visitou 129 países diferentes e mais de mil cidades, num total de quase 1.300 quilómetros percorridos, suficientes para mais de três viagens entre a terra e a lua e 29 voltas à terra, ao longo da sua missão evangélica. Ele preferiu a palavra peregrinação ao termo viagem.

Durante sua viagem, João Paulo II fez mais de três mil discursos, uma verdadeira enciclopédia social, política, teológica, moral e pastoral.

Proclamou1.338 beatos, canonizou 482 santos, mais do que em todos os Pontificados desde a criação da Congregação dos Ritos (hoje Congregação para as Causas dos Santos) em 1.588. Convocou 9 consistórios para a criação de cardeais e nomeou 232 cardeais, um dos quais “in pectore”. Nestas viagens pronunciou 3.288 discursos e como se estivesse fora do Vaticano um total de de dias correspondentes a dois anos e três meses. Escreveu 14 encíclicas, 15 Exortações Apostólicas, 11 Constituições Apostólicas, 46 Cartas Apostólicas e encontrou-se com 17,5 milhões de pessoas em 1.146 audiências semanais. Mais de mil Chefes de Estado e de Governo passaram pelo Vaticano.

Muitos se perguntavam por que João Paulo II escolheu este método de divulgar a doutrina católica, aos quais o Papa respondeu: “Cada viagem é uma autêntica peregrinação ao santuário vivo do povo de Deus. É o método de Pedro e de Paulo, os apóstolos. Os meios que existem hoje em dia facilitam o trabalho” ( Veja google Portugal: As viagens de João Paulo II ao “Continente da Esperança:”

Qual era a exigência profunda na origem das suas viagens pelas ruas do mundo? Serve-se de resposta as palavras proferidas que saíam do fundo do coração sincero do próprio Papa João Paulo II: “Na visita à uma paróquia romana, quase no início do seu pontificado, uma criança de 10 ou 12 anos fez a mesma pergunta. ‘E tu porque viajas tanto?’ A resposta do Papa foi igualmente concisa: ‘Porque nem, todo o mundo está aqui’. Ele sentia que deveria ir ao encontro de todos.

“Uma vez dizia – as pessoas iam à Igreja por causa do padre. Hoje é o padre que deve ir ao encontro das pessoas”.

Ao regressar de uma das visitas à África explicou o Papa que se considerava o pároco do mundo: “Até agora, os paroquianosvinham à paróquia, mas agora é o pároco que deve ir até eles”.

Confirmar os irmãos na Fé foi a principal razão dessas “ peregrinações ao santuário vivo do povo de Deus”

João Paulo II querendo seguir o ensinamento de Jesus de ir por todo o mundo pregar o Evangelho e pôr em prática as palavras de São Paulo, na sua carta aos Romanos: Como são belos os pés dos que proclamam o bem, dos que anunciam a paz, éque deixou claro, desde o começo, que o seu Pontificado seria um Pontificado itinerante. O pano de fundo da sua atuação como Papa seriam, não somente a Basílica e a Praça de São Pedro, mas os arranha-céus, as aldeias perdidas, os campos e as cidades dos cinco continentes, assim afirma ele: “Quero aproximar-me de todos: daqueles que rezam, onde quer que rezem (….); do beduíno, na estepe; da Carmelita ou do monge cisterciense, no seu convento; do doente, no seu leito de dor; dos oprimidos, dos humilhados (…) de todos e em todos os lugares. Desejaria cruzar o umbral de todas as casas (…). Decidi viajar até aos confins da Terra”.

Uma vez disse aos jornalistas durante um dos vôos: “Percorro diariamente uma geografia espiritual … a minha espiritualidade é um pouco geográfica”.

( Veja google Portugal: Quadrante:artigo: João Paulo II - perguntas e respostas por VV.AA ).

 

  1. Os milagres de João Paulo II

João Paulo II agora é Santo e honrado nos altares. Mesmo no dia do seu funeral o Povo Cristão na Praça de São Pedro aclamava: “Santo, Santo subito”. Fazia milagres ainda em vida no ano 1998, que era um segredo guardado pelo seu secretário particular, Stanislav Dziwisz e que foi revelado à imprensa italiana em 2002 e divulgado pelo jornal La Stampa em 11 de Abril de 2005.

  1. Americano com tumor no cérebro

O milagre consistia em salvar um homem Americano que sofria de um tumor no cérebro dando-lhe a comunhão. Assim conta este bispo polaco:

Um conhecido meu pedira-me, em Agosto de 1998, que um dos seus amigos pudesse assistir à missa celebrada pelo Papa na capela da sua residência de Verão, em Castelgandolfo.

De acordo com Stanislav Dziwisz, havia 40 anos que o homem sofria de um tumor no cérebro e tinha apenas três desejos encontrar-se com João Paulo II, fazer uma peregrinação até Jerusalém e regressar aos Estados Unidos para morrer em casa.

Afirma o bispo que então permitiu que o indivíduo assistisse à missa celebrada pelo Sumo Pontífice. No momento da comunhão, explica:

O homem aproximou-se do altar para receber a hóstia das mãos do Papa".Recordo-me perfeitamente, ele tinha a cara marcada pela doença, havia perdido o cabelo por causa da quimioterapia a que se tinha tido de submeter

Nesse momento, Stanislav ainda não sabia que o doente não era católico, nem mesmo cristão, mas judeu. Um gesto terá denunciado o homem, que deu a perceber ao secretário pessoal de João Paulo II que não estava habituado a receber aquele sacramento. Depois da cerimónia, o bispo apercebeu-se de que o indivíduo era de confissão hebraica e comenta:

Expliquei-lhe, com delicadeza, que os fiéis pertencentes a outras igrejas não podiam participar no sacramento da eucaristia.

Algumas semanas mais tarde, o bispo teve conhecimento de que "o tumor tinha desaparecido completamente". Na altura, o secretário pessoal do Sumo Pontífice não considerou que o ocorrido se tratasse de um milagre, mas "de um sinal da força de Deus". ( Veja google Portugal: Secretário do Papa diz ter testemunhado milagre).

  1. Mulher com cancro

De acordo com o La Stampa, já foi aberto no Vaticano um dossier sobre os diversos casos de curas atribuídas ao Papa João Paulo II. No documento, pode ler-se a história de uma mulher, gravemente doente com um cancro, salva de forma inexplicável depois de ter assistido a uma missa celebrada por Karol Wojtyla.

  1. Criança com leucemia

Heron com 4 anos de idade sofria de leucemiae quando tinha 19 anos não hesitou em afirmar categoricamente, segundo conta a Agência France Presse:

Desde aquele dia, em 1990, estou convencido de que foi um milagre. Sua Santidade tocou-me a face e fez-me baixar a cabeça. Eu tinha quatro anos e estava muito doente, mas fui salvo.

Para Heron Badillo e para a sua família, João Paulo II fez mesmo um milagre, em Maio de 1990, no aeroporto de Zacatecas, no Norte do México. Decorria a segunda de cinco visitas do Papa ao México. A família de Heron terá conseguido aproximar-se do Sumo Pontífice no aeroporto de Zacatecas graças ao bispo da diocese, Javier Lozano Barragan, hoje Cardeal. Assim explica o pai:

Ele estava gravemente doente, o médico já o tinha condenado, mas eu tinha esperança que a visita do Papa o pudesse salvar. E foi isso que se passou.

Em 2004, a família ter-se-á deslocado ao Vaticano e foi recebida por Karol Wojtyla, que se recordava do episódio do aeroporto de Zacatecas. ( Veja google Portugal: Agência France Presse “me curiei da Leucemia graças ao Papa Joao Paulo II”).

Outros casos de curas atribuídas ao Papa João Paulo II atestam como milagres provados que convenceram o Vaticano para a sua beatificação e canonização:

  1. O milagre atribuído a João Paulo II para a sua Beatificação:Cura misteriosa de

freirafrancesa que sofria de mal de parkinson

A  freira francesa Marie Simon-Pierre, enfermeira de profissão, foi essa pessoa que rezou para João Paulo II. Segundo a Congregação para a Causa dos Santos, ela curou-se inexplicavelmente do mal de parkinson poucos meses após a morte do pontífice.

Em 2001, Marie trabalhava em um hospital de Aix-en-Provence, no sul da França, quando foi diagnosticada com parkinson. Em 2007, a religiosa decidiu contar à imprensa como havia melhorado ‘milagrosamente’ depois que a doença se agravou, em 2005, ano da morte de João Paulo II.

Após dias de rezas e pedidos de toda a comunidade ao papa polonês, Marie conta ter deixado de sentir os sintomas da doença na madrugada entre os dias 2 e 3 de junho. "Eu me senti completamente transformada (...). Senti que estava curada", contou. O caso da freira, que viu João Paulo II uma única vez em 1984, foi submetido à análise da Congregação da Causa dos Santos, que examinou e aprovou o milagre, após consultas junto a um conselho de especialistas médicos e teólogos.

De acordo com o monsenhor Slawomir Oder, encarregado da documentação para a canonização de João Paulo II, a religiosa enferma seguiu o conselho de sua madre superiora, que sugeriu que ela escrevesse em um pedaço de papel o nome de João Paulo II.

Depois de uma "súplica extrema" e ao longo de uma "noite de pregação", Marie Simon-Pierre teria-se então curado, segundo Oder, destacando que entre os documentos que comprovam o milagre estão exemplos da caligrafia da religiosa antes e depois da cura misteriosa."A mudança na letra é impressionante: de ilegível a normal", afirmou.

Para não deixar dúvidas sobre a confiabilidade de seu depoimento, a religiosa se submeteu também a um exame psiquiátrico, contou Oder. (Veja google Portugal:Beatificação:conheça o milagre atribuído a João Paulo II; cura de religiosa francesa é o milagre atribuído a João Paulo II).

  1. Cura de um aneurisma cerebral atribuído a João Paulo II para a sua

Um aneurisma cerebral que desapareceu sem que os médicos conseguissem explicar porquê, depois de a doente pedir a intercessão do então Papa. Anotamos aqui o milagroso acontecimento:

Floribeth Mora Díaz, da Costa Rica, de 42 anos de idade,  tinha um aneurisma que a deixava, segundo os médicos, em estado terminal. Dizia ela:

Eu perdi os movimentos do lado esquerdo do corpo. Era muito difícil caminhar, andava agarrada nas paredes. Eu falava para o meu marido: ‘eu não quero morrer. Não me deixa morrer’. Eu via os meus filhos e os meus netos entrando no quarto e colocando a mão em cima de mim para saber se eu ainda estava respirando. Quando sentia que a minha hora de ir estava perto, eu rezava a Deus e pedia: “dá-me força, porque tenho medo”. Eu tinha 20 anos, quando João Paulo II veio à Costa Rica em 1983. Todos vimos que ele era um homem extraordinário.

Na casa dela, as imagens do Papa João Paulo II estão por todos os cantos, inclusive naquele quarto onde ela estava no dia 1° de Maio de 2011, quando o Papa foi beatificado. Deitada numa cama, mal se mexia. Semanas depois, no entanto, o médico Carlos Vargas olhava incrédulo para os novos exames: do aneurisma nem o mais pequeno sinal. O que aconteceu afinal a Floribeth:

Eu sentia que ele ( o Papa ) podia ajudar-me. Comecei a rezar: “João Paulo, você que está tão perto de Deus, escute minhas súplicas, que não quero morrer”. Foi quando ouvi ele dizer: ‘levanta’!  E suas mãos sairam dessa foto que eu pedi para colocar na frente da minha cama. E a voz repetia: ‘levanta! Não tenhas medo!.

Floribeth não podia andar, mas levantou-se e, amparando-se nas parede, foi até a cozinha.

Meu marido perguntou-me:  o que é que estás  aqui a fazer? E eu disse, Estou-me sentindo bem!.

Disse o médico Alejandro Román: Fiquei surpreendido. Não consegui achar explicação médica. O dano no cérebro tinha desaparecido. Foi realmente um milagre

Agora sorridente,  Floribeth explicava que se tratava de um milagre que tinha pedido ao então papa João Paulo II.

O médico analisou repetidamente os exames, foi ao laboratório do Hospital confirmar o resultado de umas análises, releu todo o caso, mas, nas palavras da antiga doente, à BBC, acabou por considerar o caso "inexplicável" por não encontrar qualquer sinal do aneurisma.( Vejagoogle Portugal: disponível e, http://visao.sapo.pt/conheca-o-milagre-que-convenceu-o-vaticano-a-canonizar-joao-paulo, 2 de Outubro de 2013; Fiel diz ter sido curada de doença fatal após rezar para o Papa João Paulo II).

 

  1. Timor Leste: Pérola do Oriente de João Paulo II

Aqui, para o extremo oriente, no sudeste asiático, Timor Leste é, sem dúvida nenhuma, um nome, uma ilha, uma terra que para o Papa João Paulo II é algo que lhe é muito querido, porque sabia muito bem que é uma terra de maioria católica que estava passando por uma crise política com todas as suas implicações sociais, económicas, religiosas e culturais e que precisava de uma solução pacífica e duradoira. Quis por isso vir visitar Timor Leste no intuito de rezar com o seu povo, proclamando que Timor Leste deve ser “luz do mundo e sal da terra” e reconfortá-lo espiritualmente.

             O anúncio da visita do Papa João Paulo II a Dili em 12 de Outubro de 1989, a convite do governo indonésio, provocou sérias reservas de muitos timorenses, que nela viram uma possível consagração da ocupação. A estas reservas procurou responder a Carta Pastoral de Dom Carlos Ximenes Belo, SDB, datada de 15 de Abril de 1989, em que se afirma, designadamente: "Ele  ( Papa João Paulo II ) sabe também que em Timor Leste se sofre, se morre, que há abusos de direitos humanos. E sabe também que apesar de todas as dificuldades, o Povo de Timor Leste tem sabido manter-se firme na sua fé católica."

 

O culminar do seu amor por Timor Leste foi a sua visita em Dili, Taci Tolu, no dia 12 de Outubro de 1989. Esteve apenas quatro horas. Chegou ao aeroporto de Comoro às 10h e regressou a Jakarta pelas 14.00h. Nesse curto espaço de tempo benzeu a Catedral de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Vila Verde, teve encontro com os Bispos e sacerdotes e rezou a missa em Taci Tolu para cem mil fiéis vindos de Timor Oriental e Ocidental. Na homilia apelou para que os timorenses fossem “sal da terra e luz do mundo” dentro do seu contexto asiático e das suas condições sócio políticas, religiosas e culturaisem que se encontram e para que haja paz, amor, concórdia e respeito pelo homem e pela família.

A igreja em Timor Leste floresceu significativamente no seu reinado, quando desmembrou da Diocese de Dili a Diocese de Baucau. Foi o primeiro Papa que nomeou pela primeira vez na história de Timor Leste, três bispos nativos: Dom Carlos Filipe Ximenes, SDB, (1988), Dom Basílio do Nascimento (1997) e Dom Alberto Ricardo da Silva (2004) e mais tarde, um quarto bispo pelo seu successor Bento XV, Dom Norberto do Amaral (2010).

  1. Feitos de João Paulo II por Timor Leste?

Timor Leste estava no calendário da sua mente para que um dia viesse a realizar o seu desejo de cá vir a fim de fortificar a fé e os ânimos dos timorenses. Timor Leste estava lá escondido no fundo do seu coração, digo isto porque eu próprio tive experiência do seu amor por Timor Leste, quando estava a estudar em Roma, tive a feliz oportunidade de participar na missade Sua Santidade o Papa João II, na sua capela privada, finda a qual fomos todos recibidos por ele. Cumprimentava a cada um de nós dando um terço. Quando eu o cumprimentei, beijando-lhe devotamente a sua mão, disse: Santitá, Io sono da Timor Leste e em seguida pôs a mão em cima da minha cabeça, dizia: pace per il Timor. Avançando um poco mais adiante, como quem ainda está pensando no que dizia antes, de novo afirmava, ao mesmo tempo que levantava a mão para mim: pace per il Timor.

Sabia bem que Timor Leste não estava bem, que precisava de paz. Mas sobre a paz dizia decididamente: “Não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão”. Esta mesma frase deve perdurar e continuar a fazer eco na mente e no coração dos filhos de Timor Leste.

As suas palavras sobre paz eram fortes quando se dirigia a América: Por isso, América, se queres a paz, trabalha pela justiça. Se queres a justiça, defende a vida. Se queres a vida, abraça a verdade, a verdade revelada por Deus.

Segundo a concepção de João Paulo II, a paz deve vir sempre junto com a justiça, o perdão, a vida e a verdade. Continua ele dizendo: Não há verdadeira paz senão vier acompanhada de equidade, verdade, justiça e solidariedade. A violência jamais resolve os conflitos, nem sequer diminui suas consequências dramáticas.

Aquilo que estava no calendário da mente do Papa João Paulo II veio realmente a ser realizado na sua vista pastoral no dia 12 de Outubro de 1989, vindo através de Jakarta. A Indonésia não permitiu decididamente que o Santo Padre beijasse o solo de Timor Leste para não criar confusão de que o Papa reconhecia a não integração de Timor Leste na Indonésia. Mas, o clero timorense teve uma ideia interessante, ludibriando as autoridades, fazendo com que Sua Santidade beijasse a cruz posta em cima de uma almofada colocada num degrau do altar em Taci Tolu.

Dr. Ramos Horta recordou a polémica que envolveu a visita papal então realizada, designadamente pelo facto de João Paulo II não ter beijado o solo timorense quando desceu do avião, na única visita que fez a Timor-Leste:

João Paulo II não beijou o solo mas sim uma cruz que se encontrava sobre uma almofada. Considero que foi um gesto imprevisto mas cheio de sabedoria, que tirou argumentos aos que o criticariam por não beijar directamente o solo, como fazia sempre que visitava um local pela primeira vez.

À chegada a Díli, em 1989, João Paulo II já tinha visitado Portugal e provinha de Jacarta, pelo que o Vaticano alegou na altura que não fazia sentido o Santo Padre voltar a beijar o solo em Timor- Leste.De acordo com as Nações Unidas, Timor-Leste era um território administrado por Portugal, mas de facto estava ocupado militarmente pela Indonésia.

Continua a realçar o diplomata e politico  timorense:

Devo dizer que se trata de uma das figuras mais marcantes dos séculos XX e XXI. Foi ele a força moral que levou ao desmoronamento do sistema soviético e ajudou a libertar a Europa Central, de Leste e os países bálticos", realçou ainda Ramos Horta. ( www.rtp.pt˃inicio˃Especial Papa, Timor Leste perdeu um amigo).

Nos momentos cruciais da vida dramática do povo timorense, o Papa de Timor acompanhava bem de perto o desenlace dos acontecimentos, enviando um representante seu na pessoa do Arcebispo Giovanni de Andrea,aquando do bárbaro massacre da Santa Cruz de jovens que se manifestaram pacificamente, desde a Igreja de Motael ao cemitério do mesmo nome em 1991.

Para reconfortar as famílias das vítimas enviou uma carta paternal de apoio e de solidariedade aos dois Administradores Apostólicos de Dili e de Baucau duranre os distúrbios de grande dimensão em todo o Timor Leste do chamado Setembro negro dizia:

É com grande pesar que, hora após hora, recebo notícias cada vez mais dramáticas da querida terra de Timor Leste, e estou profundamente amargurado porque as centelhas de esperança, derivadas da recente consultação popular, se transformaram no terror do presente, que nada nem ninguém pode justificar.

Nestes momentos de sofrimento, desejo enviar a ambos, ao clero, aos seminaristas, religiosos e fiéis das duas Dioceses esta expressão da minha proximidade espiritual, enquanto recordo na oração aqueles que morreram, os feridos, os refugiados, os deportados e todas as pessoas que se encontram em perigo. Exorto todos a ancorarem-se na esperança na vitória da Cruz, não obstante estejam a viver uma vez mais a dolorosa experiência da paixão.

Condenando com firmeza a violência, que se desencadeou furiosamente contra os membros e a propriedade da Igreja católica, imploro aos responsáveis pelos inúmeros actos de perversidade a fim de que abandonem as suas intenções sanguinárias e destruidoras. Formulo votos do íntimo do coração por que, quanto antes, a Indonésia e a Comunidade internacional ponham fim ao massacre e encontrem modos eficazes para corresponder às legítimas aspirações da população timorense.

Com estes sentimentos e ardentes votos, em penhor do conforto divino, concedo cordialmente a vós e às Comunidades cristãs a minha Bênção Apostólica. (Veja google Portugal: Aos Bispos de Timor Leste, 9 de Setembro de 1999).

E, por ultimo, já depois do conhecimento do resultado da votação em que a maioria da população pro-independência, de 78,5% saiu vitoriosa, no dia 13 do mesmo mês Sua Santidade o Papa João Paulo II recebia o então Mon. Dom Carlos Filipe Ximens Belo, SDB, no seu Palácio de Verão, em Castelo Gandolfo que lhe solicitava uma intervenção junto dos Estados Unidos da América e das Nações Unidas, com a finalidade de enviar uma força internacional de paz a Timor Leste.

  1. João Paulo II e a Independência de Timor Leste

Já em grande alegria das celebrações da Independência de Timor Leste no dia 20 de Maio de 2002, mais uma vez, o querido Papa de Timor enviou um representanteespecial na pessoa do então Arcebispo e hoje Cardeal Renato Martino, para presidir à Eucaristia em Taci Tolu. Para esta ímpar e única solenidade enviou uma belíssima mensagem aos dois Administradores Apostólicos, às Autoridades e ao povo do novo País que um pouco mais adiante mencionamos.

 

Era de esperar que não tardava muito o aparecimento das relações diplomáticas que o Papa em 2003 deu o seu beneplácito ao começo dessas relações entre a Santa Sé e a República Democrática de Timor Leste, enviando para Dili, o primeiro Núncio Apostólico na pessoa do Arcebispo Renzo Fratini no dia 26 de Junho de 2003. E, por ultimo, para aureolar toda a sua intervenção para o bem de Timor Leste, nomeou Bispo de Dili o Monsenhor Alberto Ricardo da Silva em Março de 2004. Olhando para todo este repertório relativo a toda a simpatia com que o Papa Joao Paulo II mostrava a Timor Leste, como a menina dos seus olhos ou seja a pérola do Oriente, podemos homenageá-lo nesta hora em que no próximo dia 27 de Abril é canonizado como Santo João Paulo II com o nosso preito de sincera vassalagem honrando-o com otítulo de “ João Paulo II, o Papa querido de Timor Leste”.

O Dr. Freitas do Amaral, um grande político português, quando em 1995 era Presidente da Assembleia Geralda ONU, falava do Papa João Paulo II como um”Homem de valor e de incansável defensor e doutrinador da paz no mundo”. A este respeito ele recordava a conversa que tinha mantido com o Papa, em 1995, na qual lhe falou do problema de Timor Leste. Aconteceu que, pouco mais de um ano depois dessa conversa, o Papa, recebendoas credenciais do novo embaixador da Indonésia junto da Santa Sé, em 23 de Dezembro de 1996, pedia “um diálogo fecundo a todos os níveis”.

Nesse sentido, assinalava Freitas do Amaral: “O papel da Igreja Católica na defesa dos direitos do povo timorense ficou reforçado a partir desta declaração. Os resultados não se fizeram esperar muito”. (Veja google Portugal:João Paulo II: Freitas do Amaral destaca papel na costrução da paz)

Na ocasião da dclaração da Independência da República Democrática de Timor Leste Sua Santidade João Paulo II, no dia 20 de Maio de 2002, fez-se representar pelo seu enviado extraordinário, o Arcebispo Renato Martino,com uma mensagem muito calorosa aos Administradores Apostólicos de Dili e Baucau, às Autoridades e ao dilecto povo timorenseda qual passo a citar algumas passagens mais significativas e belas que continuam a ser reveladoras e sempre atuais para a nossa situção mesmo depois da independência:

Chegou a hora da liberdade! Chegou o tempo da reconstrução! Para vós, amados timorenses, ressoam as palavras do apóstolo Paulo: «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão» (Gal 5, 1)! De facto, a liberdade tem de ser sempre defendida e preservada tanto daquilo que pode enclausurá-la, como das contrafacções que possam adulterar a sua autenticidade em prejuízo da pessoa humana e da sua dignidade. Por isso, permanece válida a exortação do apóstolo Pedro: «Comportai-vos como homens livres, não como aqueles que fazem da liberdade como que um véu para encobrir a malícia, mas como servos de Deus» (1 Ped 2, 16).

Em seguida o Papa recomenda que os timorenses, uma vez donos da sua Pátria devem desenvolvê-la segundo os valores da verdadeira democracia baseda no respeito  pela pessoa humana:

Esta Pátria, que Deus entrega nas vossas mãos diligentes, há-de apoiar-se sobre os valores imprescindíveis para a existência duma verdadeira democracia: respeito pela vida e por toda a pessoa; solidariedade efectiva entre os membros da comunidade; abertura ao contributo positivo de cada uma das suas categorias e de todos os seus membros, no respeito das diversas competências; atenção às necessidades reais das famílias e, de modo especial, dos jovens que são a promessa do futuro do recém-nascidoPaís.

Nesse dia tão feliz saúda todos os timorenses juntamente com o seu novo e primeiro presidente da república e as outras autoridades que governarão a nova Nação, enviando as sua felicitações:

A todo o querido povo timorense, exprimo, pois, ardentes votos das maiores felicidades; em particular a Sua Excelência o Senhor Kay Rala Xanana Gusmão, Presidente eleito da República, àqueles que ocupam cargos institucionais, quer a nível nacional quer a nível local. Sobre eles, na verdade, recai mais directamente a responsabilidade de velar pelo correcto encaminhamento de todas as estruturas políticas e administrativas, consolidando a sua operacionalidade e funcionamento ao serviço duma sociedade onde todos possam ser artífices de um projecto comum.

Não esquecendo os seus irmãos no Episcopado que, já durante a fase difícil da ocupação Indonésia, souberam guiar sabiamente sob a força do Espírito Santo  o seu povo fiel e deram o seu melhor para manter acesa a luz do Evangelho e da Verdade, encorajando-os acontinuar a trilhar no mesmo caminho da Igreja, saudando-os:

Envio uma saudação fraterna e afectuosa aos Excelentíssimos e Reverendíssimos D. Carlos Filipe Ximenes Belo e D. Basílio do Nascimento, Administradores Apostólicos respectivamente de Díli e Baucau, encorajando-os a continuarem, através da sua palavra iluminada pela fé, do seu exemplo de vida e do seu testemunho constante de fidelidade ao Evangelho e generoso serviço pastoral, a ser pontos de segura referência e orientação. O meu encorajamento também aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, que actuam incansavelmente nas paróquias, nas escolas, nos postos médicos, para que possam continuar o seu precioso apostolado de evangelização e promoção, quer no seio das comunidades católicas, quer em benefício de toda a população timorense.

Finalmente concede a benção invocando a proteção da Maria Virgem para todo o povo      timorense para que tenha sucesso no seu futuro:

concedo uma cordial Bênção Apostólica a todos vós, invoco, sobre as Autoridades da República Democrática de Timor Leste e quantos hão-de trabalhar para um futuro próspero e sereno, a assistência divina e a intercessão de Maria Imaculada, por vós invocada carinhosamente sob o título da «Virgem de Aitara». ( Veja google Portugal:Independência de Timor Leste - La Santa Sede e veja també o autor francês DURAND, Frédéric,Catholicisme et protestantisme dans l’île de Timor: 1556 -2003, Editions Arkuiris - IRASEC, Tolouse, 2004, pp. 220-221 ).

Dom Renato Martino, o enviado extraordinário de Sua Santidade o Papa João Paulo II, à Proclamação da Independência da República Democrática de Timor Leste, na sua homilia da Missa desse raiar do novo dia afirma:

D. Ximenes Belo, tu és um bom pastor que conhece o seu rebanho! Agradeço-te pelo testemunho do Evangelho e pela solicitude para com o Povo de Deus! Celebramos hoje esta Missa no mesmo lugar onde o fez o Papa João Paulo II no dia 12 de Outubro de 1989. A sua decisão de celebrar Missa em Dilifoi uma expressão da gransde esperança que depositava no povo timorense e um sinal de encorajamento. O Santo Padre sempre esteve e continua solidário convosco, manifestando as suas pessoais congratulação a cada um de vós aqui presents nesta especial ocasião.

          Continua apontando as congratulações, exortações  e esperança do Santo Padre ao povo timorense:

Celebramos hoje esta Missa no mesmo lugar onde o fez o Papa João Paulo II, no dia 12 de Outubro de 1989. A sua decisão de celebrar Missa em Díli foi uma expressão da grande esperança que depositava no Povo timorense e um sinal de encorajamento. O Santo Padre sempre esteve e continua solidário convosco, manifestando as suas pessoais congratulações a cada um de vós aqui presentes nesta especial ocasião. Além disso, exorta-vos, com as palavras de São Pedro, a "comportar-vos como homens livres, não como aqueles que fazem da liberdade como que um véu para encobrir a malícia, mas como servos de Deus".

Louva os sacrifícios e perdas de vida de milhares de cidadãos timorenses para conquistar a liberdade tão desejada por todos e encomenda as suas almas a Deus proferindo:

Quanto vos sacrificastes para chegar a esta hora! Quantos milhares de vidas se perderam ao longo do caminho! No Evangelho de hoje, Jesus lembra-nos que não há amor maior do que este:  dar a própria vida pelos seus amigos. Nós queremos lembrar nesta Missa todos aqueles que perderam as suas vidas na luta pela liberdade; encomendamos as suas almas à misericórdia amorosa de Deus, com a certeza e firme esperança de que um dia havemos de vê-los de novo, quando o amor de Cristo, que tudo domina, destruir por fim a própria morte. Rezamos também por aqueles que choram a sua perda:  os familiares e amigos que, em seus corações, conservam viva a lembrança dos seus entes queridos.

Uma verdadeira liberdade e uma autêntica independência são dom do Espírito de Deus; um dom sumamente prezado pelas pessoas que sofreram a sua privação, que suspiraram e lutaram para ser livres. Isto mesmo está bem espelhado na bandeira do vosso País novo; são quatro cores que simbolizam o percurso feito até chegar à independência e à esperança de um amanhã mais promissor:  o preto simboliza os sofrimentos e aflições passadas; o vermelho, o sangue derramado pela liberdade; o dourado traduz o anseio dum futuro próspero; o branco, a paz; e por fim uma estrela, para guiar o vosso caminho pátrio.(Veja google Portugal: Homilia de D. Renato Martino na proclamação da Independência de Timor Leste, Dil).

  1. Igreja de Timor Leste: Esperança de um Povo

 

A Igreja Católica Timorense foi e é sempre uma esperança para o povo de Timor Leste em todo o desenrolar da sua história e tem vindo a desempenhar um papel de grande importância, não só no apoio espiritual, humano e material que deu ao povo – e mesmo aos membros da resistência – mas também na legitimação e credibilização internacional da resistência.

A Igreja Católica, após a invasão, colocou-se ao lado do povo, que passou a encontrar nela apoio e local de refúgio. Isso levou a que de igreja com uma influência reduzida na população no momento da invasão, viesse a registar uma grande adesão, com baptismos e conversões em grande número. A Igreja Católica resistia às tentativas de silenciamento que a Indonésia tentavaimpor. Depois de um período de relativo silêncio a Igreja Católica timorense começou a fazer ouvir a sua voz, denunciando a situação.

Em 1981, o bispo D. Martinho da Costa Lopes, que foi administrador apostólico de Díli de 1977 a 1983 denuncioupublicamente, pela primeira vez, os crimes do exército indonésio e pede, em carta dirigida à Caritas Australiana, ajuda para o povo esfomeado.

A Igreja Católica denuncia não apenas a situação grave que se vivia, mas também reforçou a ideia de que não estávamos apenas perante uma resistência armada isolada, mas perante uma rejeição generalizada da ocupação. Por causa dessas denúncias o bispo D. Martinho da Costa Lopes foi afastado, sendo nomeado seu sucessor, em 1983, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, SDB, considerado mais próximo das posições indonésias.

Porém, pouco depois, Dom Ximenes Belo acabou por surpreender a Indonésia,ao assumir claramente a defesa do povo timorense e a necessidade da realização de um referendo, o que fez nomeadamente em carta que dirigiu, a 6 de Fevereiro de 1989, ao Secretário-Geral das Nações Unidas e onde dizia que “o povo timorensedeve ser ouvido através de um plebiscito sobre o seu futuro. Até agora o povo ainda não foi consultado”. (DURAND, Frédéric, Catholicisme et protestantisme dans l’île de Timor: 1556 -2003,Editions Arkuiris - IRASEC,Tolouse,2004, p. 214 ).

Esta carta foi debilmente comentada por algumas forças políticas internacionais, mas fortemente atacada pelas autoridades indonésias.

  1. Massacre de Santa Cruz

Dia 12 de Novembro de 2012, Timor Leste relembra um dos acontecimentos mais marcados da sua história. O Massacre no cemitério de Santa Cruz em Dili.


Há 23 anos atrás, no dia 12 de Novembro de 1991 chegaram a Timor Leste para observar a delegação do Parlamento Portugues para apoiara causa de Timor, alguns jornalistas independentes dos Estados Unidos da América, Amy Goodman e Allan Nairn , camera man e britânico Max Stahl e Nova Zelândia Kamal Bamadhaj, estudante de ciências politicas.

Tudo começou com a morte e o funeral de Sebastião Gomes, um jovem timorense morto por elementos ligados às forças indonésias a 28 de Outubro de 1991. Na procissão desde a Igreja Paroquial de Motael até ao cemitério Santa da Santa Cruz em Dili, a população, cerca de 3 milhares de pessoas, na maioria jovens, inclusivealunos e crianças da escola primária católica de Balide e outras, rezaram, cantaram e gritaram slogans. Ao longo do caminho, os jovens içaram faixas de protesto e bandeiras de Timor-Leste, figuras do herói Xanana Gusmão, gritando palavras de ordem. 

Os organizadores do protesto mantiveram a ordem durante o mesmo, embora tivessesido uma manifestação de alto número de participantes, a multidão era pacífica e ordenada. Nessa manifestação,a muitidãomostrava claramente ecom todo o entusiasmo o seu repúdio pelo indonésio. Foi a maior manifestação e a mais visível contra a ocupação Indonésia desde 1975.

No cemitério de Santa Cruz os jovens viram-se rodeados pelos elementos de forças da Indonesia e foram atacados a tiro. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando e aterrorizandoquem quer que fosse sem qualquer distinção de sexo ouidade,com um único objectivo de "Calar as Vozes";vozes essas que queriam mostrar ao Mundo que Timorestava em sofrimento durante décadas, vozes essas que mesmo caladas eram sedentas do desejo de paz e dos direitos humanos que jamais existiram desde a ocupação.Alguns manifestantes foram presos e só foram libertados em 1999, na altura do referendo. Outros,no entanto,até ao presente momento,ano de 2014,ainda não foram descobertos os seus restos mortais.

Disse oDr.Constâncio Pinto, actual Vice Ministro dos Negocios Estrangeiros, em entrevista ao Jornal “O Publico” a 11 de Novembro de 2011:

A visita dos parlamentares portugueses tinha sido adiada, mas o protesto avançou. A manifestação de 12 de Novembro precisamente por causa do cancelamento da delegação parlamentar. Se a delegação parlamentar tivesse ido a Timor-Leste, a manifestação teria sido outra. ( Veja google Portugal: Kiakilir:memórias do massacre da Santa Cruz ).

A única oportunidade estava diante deles, apenas a passos. O longo caminho percorrido que parecia não ter fim estava prestes a ser alcançado,  os jovem queriam aproveitar a visita da Delegação Parlamentar Portuguesa que estava planeada para o mês de Outubro a fim de protestar contra a ocupação Indonésia e exigir a responsabilidade de Portugal.

Imediatamente após o incidente acorreram ao local o Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, o então Administrador Apostólico e o Governador Mário Viegas Carrascalão que mostravam a sua maior indignação por um ato tão atroz. Dom Ximenes  andava, de casa em casa, para entregar aos pais os jovens que se tinham refugiado no Paço Episcopal e procurava encontrar-se com as autoridades militares para manifestar o seu protesto.

Os bispos de Dili e Baucaurecordam bem o massacre no cemitério de Santa Cruz, como um dia que mudou a história do país.

Em entrevista com D. Basílio do Nascimento, que na altura estava ainda a trabalhar em Portugal, a Lusa em Novembro de 2011 recolhia algumas recordações do mesmo bispo:

fala nas imagens transmitidas pela imprensa mundial como ‘os dois minutos que viraram os destinos de Timor’, que fizeram acreditar os mais céticos.O prelado (…) conta que o presidente indonésio Suharto terá dito que “era o fim da Indonésia” e que os próprios indonésios acreditam que os seus governantes foram “burros”. “Salvo seja”, atalha, “burros em terem gasto energias, dinheiro e o bom nome da Indonésia ao dar tiros em Timor, porque toda a riqueza de Timor, neste momento, tudo aquilo que era objeto da sua ganância, hoje vem parar às mãos da Indonésia”.( Veja google Portugal: Timor Leste: Massacre no cemitério da Santa Cruz, na Nacional | Agência Ecclesia | 2011-11-11 ).

D. Alberto Ricardo da Silva que nessa altura era vigário-geral da diocese de Dili foi chamdo e interrogado várias vezes pelos militares indonésios na sequência do massacre afirma, por sua vez em entrevista à Agência Lusa em 11 de Novembro de 2011:

Eu sabia que ia ser uma coisa muito perigosa para mim, eu podia reagir e podiam-me matar. Estava mesmo decidido a morrer, porque eu não estava habituado a interrogatórios daquele tipo ou maus-tratos.

Foi ele que celebrou a missa na igreja de Motael, que antecedeu à manifestação que culminou no cemitério de Santa Cruz e lembra-se de ter regressado ao seu trabalho diário na Câmara Eclesiástica, antes de “ouvir tiros”, mas quando pensou em ir para a zona do cemitério começaram a chegar os primeiros feridos.

“Foi assim todo o dia, um verdadeiro pesadelo", disse, sublinhando que havia militares na rua e que no dia a seguir começaram a perseguir e a prender rapazes e familiares de pessoas para interrogatórios.

Inclusivamente o vigário gereral, Pe.Alberto Ricardo da Silva também foi levado para ser interrogado porque os militares queriam saber o que dizia respeito à Igreja, à política, ao povo e à integração.Dizia ele que lhe fizeram:

cinco interrogatórios em dias quase seguidos"."A minha pessoa, com o meu temperamento, foi uma graça especial não me terem maltratado senão era a minha morte.Eu tinha de dizer a verdade, que a Igreja é pela justiça e pela verdade e a verdade é que o povo queria a independência. Queria, mas com todo o direito, sem violência.

Segundo números do ‘Comité 12 de Novembro’, 74 pessoas identificadas como tendo morrido no local e 127 morreram nos dias seguintes no hospital militar ou em resultado da perseguição das forças ocupantes.(  Veja  google Portugal: Timor Leste: Massacre no cemitério da Santa Cruz, na Nacional | Agência Ecclesia | 2011-11-11 ).

  1. Mudança da percepção internacional